Bittersweet love
Eu tenho uma relação de amor e ódio com a Academia. Desde que ela deu um monte de prêmios pra Titanic (e eu tremi nas bases quando saiu Pearl Harbour) eu tenho essa implicância, e desde então grito a quatro ventos que é uma festa vendida, que só premia filme que custou caro, ou mais ainda, só premia filmes da Miramax.
Mesmo assim, adoro ver, é um ritual todos os anos. Eu e marido sentamos com nossas listinhas, vaiando e aplaudindo a tevê a cada erro ou acerto, competindo um com o outro, pipoca, sorvete, risadas.
Aí ano passado veio Million dollar baby, que não era da Miramax. Aí esse ano veio George Clooney com "Good night, and good luck" e eu pensei, poxa, talvez eu tenha sido dura demais com eles. Afinal, foi um filme quase feito entre amigos, o custo foi uma mixaria pra Hollywood, produção baratíssima. E o filme é realmente bom, ainda que eu soubesse que não ganharia o Oscar - nem de filme, nem de direção. Acertei. Eu sabia que ontem Mr. Clooney sairia de lá com um homenzinho dourado, mas sabia que não seria por seu filme.
Aliás, acertei todos os prêmios importantes, direção, ator, atriz, coadjuvantes, trilha, todos os que
envolviam filmes que eu vi. Impressionante, porque no ano passado eu apostei na Miramax e me ferrei (e Scorcese também). Acertei quase tudo, baseada no que costuma acontecer: por exemplo, eu sabia que o prêmio de melhor atriz ia pra Resse, ainda que ache que a Felicity merecia mais. Transamerica teve uma produção muito diferenciada e nenhuma divulgação aqui no Brasil, não chegou em telonas... quer dizer, agora deve entrar em algumas salas porque ganhou a indicação, mas só passou no Festival do Rio e olhe lá. A Felicity ganhou o Golden Globe, que é uma festa menor mas mais justa, na minha opinião. Mas eu adoro a festa do Oscar, gosto de ver as pessoas, as roupas, tudo. E minha grande decepção mesmo foi a categoria de melhor filme.
Crash é um filme bom, eu gostei, veria de novo. Mas é um tema batido, uma edição pra lá de já feita antes e um final meio óbvio (alguém lembrou de Magnólia e seu final redentor? Paul Thomas Anderson, sim, merecia um homenzinho dourado!), fora o elenco com vários atores fraquinhos que juntos chamam atenção (Sandra Bullock, Matt Dillon, Brendan Fraser). Eu nunca na vida diria que esse filme seria indicado ao Oscar, porque é um filme que não se destaca excepcionalmente em nada, até tem grandes atuações (não a do Matt Dillon, que acho que foi indicado por pena), mas não é um filme de Oscar.
Mesmo assim eu continuo assistindo, continuo torcendo pra que um dia as minhas preferências sejam as preferências de todos, pra que um roteiro de Woody Allen não perca no meio de quatro outros não tão bons...




